Profissionalismo nas relações: "O brasileiro é muito voltado para o relacionamento cordial e paternalista, deixando o profissionalismo de lado. Quando um técnico é promovido a uma posição de liderança, as amizades não são esquecidas em momentos de avaliação ou decisão. Quando o novo líder emergiu do chão de fábrica, essa característica é ainda mais forte".
Negociação: "O executivo brasileiro se considera confiável, porém tem dificuldades em confiar em quem está do outro lado. Isso impede a negociação integrativa, em que ambas as partes buscam tirar o maior proveito possível da relação empresarial. Além disso, o brasileiro busca o ganho imediato, prejudicando as relações de longo prazo, mais consistentes".
Habilidade analítica: "Há pouco uso de metodologias para solucionar problemas. O brasileiro se utiliza de intuição - o que é bom em algumas situações, mas pode ser muito ruim ao lidar com empresas e executivos extremamente analíticos, como coreanos e japoneses, que são grandes investidores no Brasil".
Inovação: "A criatividade não é transformada em inovação, como mostra o baixo número de patentes registradas no Brasil. Inovar demanda gerir um processo que transforme a ideia original em inovação e, para que isso ocorra, falta a tomada de responsabilidade e a prestação de contas (em inglês, a accountability). Temos muita iniciativa e pouca 'acabativa'", brinca ele.
Planejamento e execução: "Falta respeito ao cronograma e antecipação. O ato de deixar para a última hora impede que se realizem o planejamento e, se este for realizado, a execução. Além disso, sobrecarrega os executivos".
Métricas: "Falta de planejamento e de análise crítica fazem com que não exista uma base qualitativa para mensuração. Os resultados são definidos por percepções subjetivas, incluindo empatia, e os líderes se baseiam nelas para avaliar projetos e promover pessoas".
João Marcelo Furlan é Diretor de Regionais da ABRH-SP.